quinta-feira, 26 de maio de 2011

Espiral do Tempo


E esse tempo que me resta

De forma absurda passa sem padrão ou medida...

Vão-se embora todas as horas...

Vai-se o tempo de menino.

Vai-se embora a brincadeira

O tempo de ‘senhor’ chega

O grisalho, os sulcos na pele, a decadência...

Esse tempo que me resta

Hora passa lento, hora feito bala.

Espiral do tempo que não pára

Indo e voltando relembro e não revivo muito as coisas.

Nesse tempo que me resta,

E não sei bem quanto tempo é,

Penso muitas coisas e talvez a que me tire mais o sono

Seja mesmo o próprio tempo,

Esse presente impagável.

Devo aproveitá-lo bem, de muitas formas, torná-lo produtivo

Dedicá-lo aos que me são caros,

Devo fazer tanta coisa desse tempo limitado

Desse bem tão precioso

Desse espaço que chamo vida!


(Foto: Josemar Damasceno)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O que é? O que é?

O que é tudo isso que transformamos em crença? O que é isso tudo em que acreditamos?

O que é?

Conta para mim se é verdade todas essas coisas que mamãe me ensinou desde criança. Manga e leite quando juntos fazem mal?

Conta para mim se as cores que vejo são reais ou se são distorções dos meus olhos pequenos olhos verdes.

Por que me ensinaram a acreditar em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa se era para saber que eles não existem?

Explica-me então por que continuo a ensinar isso as crianças que ensino se quando elas descobrirem a verdade sentirão o mesmo que eu senti?

Por quê?

Somos moldados, não ensinados, e passamos isso adiante. É estranho! Essas regras, essas crenças todas, toda essa 'formação' que recebemos.

Entregam-nos tudo pronto: como devemos nos portar, em que devemos acreditar, de que forma manifestamos nossas crenças...

Quando estaremos prontos para saber a verdade de todas as coisas?

Existe essa tal de verdade para todas as coisas?

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Acúmulos

Passam os dias, somam as semanas, viram os meses e derrepente: mais um ano findando.

Levamos nossas vidas numa boa repetindo e transformando em rotineiras todas as coisas, adiando alguns desejos, desejando realizar alguns sonhos... E o que nos sobra disso tudo? Saudade.

Sem exageros, da vida que não vivemos, dos amigos que não vemos há tempos, de momentos, canções, sonetos, retratos, músicas... Do encontro com a moçada, dos colegas...

Levamos muita saudade nessa vida. Uma mala cheia dela que vai se arrastando junto com a gente, acumulando, pesando. Saudade que vai crescendo conforme as coisas todas vão acontecendo.

A ausência das coisas, das pessoas e tudo mais. A distância dos queridos, dos desejos. O silêncio que perdura. Saudade dói e mais que todas as outras dores desse mundo.

Sentir saudade é como ter o coração arrancado do peito. É um nó na garganta que não passa.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Não há o que comemorar

Apesar das atrocidades, atentados, assassinatos e da impunidade não há o que comemorar na morte. Celebram nesse momento a morte que vingaria os assassinatos de milhares de inocentes, a vida que justificava uma extensa guerra com muitas mortes, sem resultados e de causas duvidosas.

Morto, lançado ao mar, sem provas reais do acontecimento e pelas ruas milhares de pessoas nas Américas e demais países do mundo festejando a conquista com ‘V’ de vingança. Lembra mesmo o filme.

Mas a vingança tem dois lados e transcrevendo uma frase do filme diria eu que “ideias não são só carne e osso. Idéias são à prova de balas”. Diria, ainda, que a morte não é o fim das atrocidades, nesse caso é apenas mais um motivador.

Não concordo com esses atos violentos, terroristas ou não. Violência gera violência e cada vez mais caminhamos rumo a nossos ancestrais que resolviam suas disputas com guerras sangrentas. Estamos retornando a nossas origens bárbaras.

Qual tipo de sentimento é alimentado em atos como esses? Comemoramos a vingança! O que ensinaremos a nossas crianças de agora em diante? Se te baterem meu filho vai lá e arrebenta a cara deles? É assim que queremos ser?

Não há o que se comemorar, entretanto, há muito que refletir.



(Palhaço Alegria By Josemar Damasceno)